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A Escrita Terapêutica nasce com o objetivo de partilhar reflexão, conhecimento e experiência clínica das terapeutas do InterAge, através de artigos de opinião sobre temas atuais, pertinentes e profundamente ligados ao nosso quotidiano.

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Neste espaço, as nossas profissionais abordam questões relevantes relacionadas com o desenvolvimento, o bem-estar emocional, a aprendizagem, a inclusão e as dinâmicas familiares e sociais, traduzindo a prática clínica em conteúdos acessíveis, rigorosos e úteis.

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Escrita Terapêutica pretende promover informação de qualidade, estimular a reflexão e contribuir para uma maior compreensão dos desafios que marcam diferentes fases da vida, reforçando o compromisso do InterAge com a partilha do saber e a intervenção consciente.

 O corpo como base da comunicação

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O desenvolvimento da fala não acontece de forma isolada. Antes das palavras, existe o corpo: o equilíbrio, o movimento, a postura e a forma como a criança se sente no espaço. É aqui que a terapia ocupacional assume um papel fundamental, criando as bases que sustentam a comunicação.

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O sistema vestibular, localizado no ouvido interno, é responsável pelo equilíbrio, pela perceção do movimento e pela organização postural. É ele que ajuda o corpo a manter-se estável, orientado e atento. Quando este sistema está bem regulado, a criança consegue sentar-se com maior estabilidade, coordenar movimentos e manter a atenção — aspetos essenciais para falar, articular sons e comunicar com clareza.

Quando existe uma desorganização vestibular, podem surgir dificuldades no controlo postural, na coordenação dos músculos da face e da boca, na atenção e na autorregulação emocional. Tudo isto pode refletir-se na fala e na comunicação, tornando o processo mais exigente para a criança.

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A terapia ocupacional intervém precisamente nesse ponto. Através de experiências sensoriais e motoras — como baloiçar, rodar, mudar de posição, empurrar, puxar ou explorar diferentes ritmos de movimento — o terapeuta ocupacional ajuda o corpo a organizar-se. Estas vivências promovem o equilíbrio, o controlo corporal, a atenção e a capacidade de autorregulação, criando um terreno seguro para o desenvolvimento da fala.

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Ao mesmo tempo, a terapia ocupacional apoia a criança a sentir-se mais organizada emocionalmente, disponível para interagir, comunicar e aprender.

É por isso que a articulação entre terapia ocupacional e terapia da fala é tão importante. Enquanto a terapia ocupacional trabalha os sistemas sensoriais e motores que sustentam a comunicação, a terapia da fala atua diretamente na linguagem, na articulação e na expressão verbal. Juntas, permitem uma intervenção mais integrada, respeitadora e eficaz.

No Interage, acreditamos que comunicar começa no corpo. Quando o corpo encontra equilíbrio e segurança, a fala ganha espaço para emergir.

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Janeiro de 2026

A importância da psicologia no Autismo

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O psicólogo infantil é um profissional especializado no desenvolvimento emocional, cognitivo e social das crianças, desempenhando um papel essencial no acompanhamento de crianças com Perturbação do Espectro do Autismo. O trabalho começa com a avaliação e o diagnóstico, etapas fundamentais para compreender o funcionamento da criança em diferentes áreas. Para isso, o psicólogo observa o comportamento e a interação social, realiza entrevistas com pais, educadores e outros profissionais e aplica testes e escalas específicas que permitem analisar a comunicação, a linguagem, a motricidade, as emoções e as competências sociais.

 

Esta avaliação detalhada permite identificar as forças e dificuldades da criança e serve de base para a elaboração de um plano de intervenção individualizado, adaptado às suas necessidades.

Com base nesta avaliação, o psicólogo define estratégias de intervenção personalizadas, que podem incluir o treino de competências sociais, a promoção da comunicação verbal ou através de sistemas alternativos, a regulação emocional, a gestão de comportamentos desafiantes e o desenvolvimento da autonomia nas atividades do dia a dia.

 

As sessões são planeadas de forma estruturada e lúdica, cujo objetivo é que a criança consiga desenvolver competências de comunicação, interação, autoconfiança e autonomia de forma consistente e motivadora.

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O acompanhamento psicológico inclui também o trabalho com a família, através da psicoeducação sobre o autismo, treino parental para reforçar aprendizagens e estratégias no quotidiano, bem como apoio emocional, ajudando os pais e cuidadores a sentirem-se mais seguros e confiantes durante o processo. Este trabalho é complementado pela colaboração com a escola e outros profissionais, garantindo que as estratégias utilizadas pelo psicólogo sejam coerentes com as aplicadas em casa, na escola e em outras terapias, promovendo assim a consistência e a generalização das aprendizagens da criança.

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Em síntese, o psicólogo infantil tem como missão apoiar a criança com autismo a compreender melhor o mundo à sua volta, a desenvolver capacidades de comunicação e de relacionamento, a ganhar autonomia e confiança, e a oferecer à família ferramentas e suporte para acompanhar o desenvolvimento da criança de forma mais segura e eficaz.

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Dezembro de 2025

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