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Artigos de Opinião​

Avaliação Neuropsicológica e PDHA

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A avaliação neuropsicológica é uma ferramenta muito importante sempre que surgem dúvidas sobre o desenvolvimento da criança, porque ajuda a perceber melhor como ela funciona a nível cognitivo, emocional e comportamental (Lezak et al., 2012; Strauss, Sherman & Spreen, 2006).

 

Muitas vezes, sinais como distração, impulsividade, dificuldades de aprendizagem, mudanças no comportamento ou desorganização são logo associados à PHDA. Mas nem sempre estamos perante uma perturbação de hiperatividade e défice de atenção. Por exemplo, uma criança que parece constantemente “distraída” pode, na avaliação, revelar sobretudo ansiedade de desempenho ou dificuldades específicas na leitura e isso implica estratégias diferentes das usadas na PHDA. Estes sinais também podem estar ligados a outras situações, como dificuldades específicas de aprendizagem, ansiedade, alterações emocionais, problemas de sono ou, simplesmente, a um percurso de desenvolvimento que necessita de uma compreensão mais aprofundada (American Psychiatric Association, 2022; DuPaul & Stoner, 2014).

É precisamente aqui que a avaliação neuropsicológica faz toda a diferença. Mais do que confirmar um diagnóstico, permite conhecer a criança de forma mais completa: perceber como pensa, aprende, memoriza, gere as emoções e reage aos desafios do dia a dia (Lezak et al., 2012; Sattler, 2018). Esta visão mais abrangente ajuda a identificar não só as dificuldades, mas também os pontos fortes, que são essenciais para definir respostas mais ajustadas e eficazes (Barkley, 2015).

No caso da PHDA, a avaliação é essencial para confirmar ou excluir hipóteses diagnósticas e para distinguir esta condição de outras situações com sinais parecidos (American Psychiatric Association, 2022; Barkley, 2015). Mas o seu valor vai muito além disso. Sempre que existam dúvidas sobre o desenvolvimento, o comportamento ou o desempenho escolar, a avaliação neuropsicológica pode ajudar pais, professores e profissionais de saúde a encontrar estratégias mais adequadas e personalizadas (DuPaul & Stoner, 2014; Gioia et al., 2000).

Perceber antes de rotular é um passo fundamental para uma intervenção realmente eficaz. Uma avaliação bem feita não serve apenas para dar um nome a uma dificuldade; serve para orientar intervenções mais precoces, mais conscientes e mais eficazes, promovendo o bem-estar e o potencial de cada criança (Barkley, 2015; Lezak et al., 2012).

Julho de 2026 // por Drª Catarina Pereira (CP- 029888)

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